Hoje celebramos a memória de Nossa Senhora Rainha.
Gostaria de tecer três breves comentários que são mais do que tudo, apenas uma provocação para a reflexão e meditação pessoal de todos nós.
1. Lembro de ter lido há muito tempo atrás um comentário que questionava esse apego que nós brasileiros temos com figuras da monarquia. Temos o rei do futebol, a rainha dos baixinhos, o rei da música e por aí vai. E tudo quase sempre, fica apenas na titulação.
Quando penso no título de Maria como Rainha me vem essa preocupação da gente tratar a mãe de Jesus como uma senhora que se apegou demais ao título e por isso, recebe a reverência dos seus súditos. E se isso acontece, precisamos pensar no que sabemos de Maria pelos evangelhos...
Em nenhum momento encontramos nela qualquer traço de apego a títulos e honrarias. Todas as vezes em que aparece, sempre está em profunda comunhão com o Filho e somente a partir dele, se posiciona e age porque sabe que sua participação está necessariamente ligada a Jesus a quem ela gerou mas por quem ela entendeu e disse seu Fiat= faça-se...
2. O risco que temos do ponto de vista da espiritualidade de fazermos Maria e com ela Jesus prisioneiros de um modelo palaciano. Eu nunca conversei com uma rainha ou um rei, mas a literatura e o cinema nos dão pistas do quanto essas figuras podem ficar presas nas regras e manobras políticas que os cercam.
Seria uma pensa deixar Maria com toda a sua vitalidade e consciência afastada da vida e refém das intrigas palacianas como se fosse uma senhora velha e presa a formalidades...
Pensar Maria como Rainha exige pensar nela como uma mulher corajosa e capaz de escolhas, digna de fazer grandes movimentos internos (Maria é uma mulher com uma espiritualidade vibrante- vide o Magnificat!) e externos (capaz de se deslocar física e emocionalmente na direção de quem precisa dela). Esse modelo de rainha, talvez um pouco fora dos modelos que conhecemos e imaginamos, precisa ser lapidado de modo a não deixar sua vitalidade se perder...
3. Gosto de colocar Maria ao lado de Eva. E gosto de ver o modo como ambas reagem à presença de Deus no mundo e na vida.
Para uma, Deus funciona como um castrador que quer impedir a felicidade... e quantas vezes trazemos em nós essa marca do pecado das origens.
Para outra, Deus é uma visita desafiadora que convida, que escolhe e propõe a sua cooperação na obra de salvação. Ela pode dizer sim e pode dizer não. E quando diz, fiat = faça-se recebe o auxílio da graça para viver o caminho escolhido...
Que consigamos todos contemplar essa Senhora do fiat que insiste em continuar dando seu sim a Deus e ao mundo.
Fiquem bem.
Maria singela doce e pura de Nazaré da Galiléia a Belém da Judeia. Mãe do Salvador interceda a nos a dizer"Sim" ao seu projeto de amor
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