quarta-feira, 2 de setembro de 2020

CUIDAR NÃO É FÁCIL. MAS É NECESSÁRIO.

Convenhamos: cuidar não é tarefa fácil. 

Mais difícil ainda, porque vivemos em tempos de profundas preocupações e solicitações que vão nos tirando o fôlego devido a tantas correrias e dificultando o ânimo para gastar tempo com quem precisa. Tudo vai ficar tão importante e urgente que já não temos mais uma escala de valores e prioridades.

Mas é necessário redescobrir essa vocação e é fundamental para a sobrevivência da espécie e do mundo em que vivemos que tratemos de aprender a cuidar.

Para nós que nos propomos a estar no caminho de Jesus, ele é o modelo e a testemunha fiel do cuidado que o Pai tem com tudo e todos. Salvação, redenção, atenção à vida: todos os atributos que dizemos ver e sentir em Jesus são manifestações desse cuidado que Deus tem com a criação, incluso nós todos.

Mas a tarefa ainda continua sendo difícil...

Lucas no seu evangelho vai apresentar Jesus sempre atento e disponível para encontros que geram cura e cuidado. Sempre tem um gesto ou uma Palavra que revelam essa missão de gerar cuidado ao nosso redor.

Hoje, na continuidade da apresentação de Jesus e sua missão pública, o evangelista vai demonstrar essa atenção num ambiente familiar. A sogra de Pedro estava doente e pediram que Jesus fosse vê-la.

A cena é simples: uma pessoa acamada e uma visita solidária.

Mas a complexidade está no modo como acontece essa visita: Jesus se inclina sobre a pessoa que está doente e ameaça a febre.

Duas questões para se pensar: esse inclinar significa o que do ponto vista do doente? Porque normalmente a visita fica à distância e de longe, até mesmo as consultas médias às vezes são feitas sem nenhum contato com o corpo do doente. Jesus se inclina...

Penso em algumas ideias. Se debruça como gesto de solidariedade?  Se coloca no lugar do doente? Acredita na força do toque e na possibilidade de trocar energia? Ele se inclina e isso não deve ter sido nem à toa e nem deve nos passar despercebido.

Outra coisa: porque se ameaça a febre?

A conversa me parece ser entre ele e a doença e isso me faz pensar que aquela febre não deveria estar ali e portanto, a única forma de poder se livrar dela que estava tirando a energia vital da mulher, era garantir que a pessoa doente soubesse que para vencer o que nos tira a vida é preciso saber o que gera vida em nós.

Não é à toa que logo em seguida Lucas faz questão de mencionar que a mulher se levanta e começa a servir as pessoas. Para uma dona de casa daquele tempo a melhor forma de sentir-se viva e integrada era com os afazeres da casa e podendo cumprir o preceito de acolher bem as pessoas.

Para vencer a febre que sinaliza para a diminuição da força vital é necessário redescobrir o ponto gerador de vida que seja capaz de nos colocar em pé novamente.

Cuidar não é fácil. Mas tem um efeito excepcional na vida de quem recebe cuidado.

Até quando será que conseguiremos ignorar essa prática geradora de vida?


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