Por motivos de decepção e cansaço de ser enganado escolhi não ouvir o pronunciamento do presidente Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU. De algum modo, previa que seria terrível aqueles 15 minutos de fala desconecta de sentido e totalmente separada da realidade.
Mas não pude deixar de ver os efeitos desastrosos de tal pronunciamento.
Em 15 minutos o presidente mentiu, disfarçou, desconsiderou e criou uma realidade paralela da qual somente incautos e mal intencionados são capazes de aplaudir.
Das várias e variadas mentiras uma me chamou a atenção: aquela que afirma que a causa dos incêndios nas florestas e matas são causadas por ribeirinhos e comunidades indígenas.
Somente quem não conhece a vida dessas pessoas e suas comunidades poderia afirmar tamanha crueldade, porque partem do princípio que esses agem tal e qual o grandes conglomerados financeiros que, sem medir qualquer valor que não seja quantificado pelo dinheiro, vão destruindo e desmatando tudo.
Em primeiro lugar diga-se: é impossível que essas comunidades tradicionais coloquem fogo na mata. E digo isso sem medo nenhum de errar. Não fazem porque dependem da mata, porque se relacionam com intimidade e afeto com a mata, porque precisam da mata para manterem-se vivos e sabem que essas ações de preservação não os defende apenas, mas também, servem para garantir a vida do planeta.
Segundo porque a agricultura nesses lugares não tem objetivo de lucro. Plantam para comer e normalmente, conseguem derrubar pequenas porções da mata que servem apenas e tão somente para manter os pequenos roçados.
Terceiro porque são tradicionais e como tais, não se atrevem a ir contra o que aprenderam dos pais e avôs. Vivem com todas as dificuldades que esses lugares apresentam mas sabem que ali está sua essência e portanto, não agridem porque dependem dessa energia vital para manterem-se vivos.
Mas para quem se senta numa cadeira num escritório de Brasília ou qualquer outro lugar do mundo e vê apenas cifras e ganhos tudo isso parece não fazer sentido.
Olham sem ver.
Julgam sem entender.
E condenam para ocultar os reais responsáveis pelos crimes contra a criação.
Os grandes latifúndios precisam de cada vez mais terra para gado e soja.
Os grandes conglomerados econômicos querem por toda lei explorar o pouco de riqueza que ainda sobrou nessas terras.
Os garimpos ilegais e criminosos agem sob a égide do Estado.
Esses são os verdadeiros culpados pelas queimadas e quem não vê e não aceita isso, comete crime de omissão.
E por falar em omissão, até quando será permitido que em nome da pós- verdade um presidente possa mentir descaradamente sem ser responsabilizado pelos erros? Até quando os países que têm comércio com o Brasil aceitarão calados e em nome dos lucros que obtém essas mazelas? Até quando a classe política vai ficar silenciada para garantir algumas emendas a mais? E cadê o judiciário?
O que não se pode mais aceitar como válido e correto são essas práticas políticas que corroem a democracia e o Estado de Direito. O que não se pode mais é ficar apenas indignado esperando que em algum momento se tenha coragem de declarar o impeachment. O que não se pode é deixar o futuro da humanidade na mão de incompetentes e mentirosos.
Se calarmos, estamos apenas ateando fogo em nós mesmos.
Fiquem bem.
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