segunda-feira, 7 de setembro de 2020

EIS A LIÇÃO

 Acabei de ler o livro LUGAR DE FALA de Djamila Ribeiro. Uma boa introdução à discussão sobre o lugar da existência como ponto de partida para o entendimento e conhecimento da vida e dos seus desafios.

Hoje, enquanto meditava o texto de Lucas 6, me passava pela cabeça a ideia de que Jesus fazia justamente isso ao possibilitar que as pessoas fossem para o centro, para o meio da roda social. Não devia ser à toa que sempre fazia esse pedido.

Mais do que tentar adivinhar ou inferir que já se soubesse o que a pessoa queria (mais de uma vez ele pergunta o que você quer que eu faça pra você), dar destaque a essas pessoas, significa poder dar palavra e lugar para que sejam.

Colocar um doente e portanto, uma pessoa amaldiçoada no centro de uma roda social é propor a inversão do olhar para novas prioridades que fujam aos padrões sociais e teológicos que estamos acostumados a ver e a julgar o mundo.

Não é à toa que os fariseus se sentem raivosos a verem Jesus curando no sábado. Será que é porque é dia sagrado ou porque Jesus os faz olhar para onde ou para quem normalmente não costumam olhar? 

Você, assim como eu, já tivemos esses acessos de raiva.

Quando estamos numa mesa de uma lanchonete ou restaurante e alguém nos interrompe para pedir uns trocados ou se pode ou não pegar os restos da pizza que estão sobre a mesa, não dá uma raiva grande?

Ou então, quando aflitos com as compras que devemos fazer por ocasião do natal e nos deparamos com uma mulher com ferida nas pernas e criança raquítica nos braços, não cresce em nós uma raiva disfarçada de indignação?

Porque será?

Porque somos forçados a olhar para onde não gostaríamos de olhar e se possível, nem gostaríamos que existissem pessoas assim atrapalhando o meu bem estar.

Pois é aí que se encontra a força do evangelho e o modo como Deus se comunica conosco: não gostaríamos de ver mas Deus quer mostrar que ainda há muito a se fazer e a se comprometer com vidas que existencialmente, estão correndo o risco de não mais existir. E toda vida é sagrada. 

Tudo o que move é sagrado, já cantavam os mineiros do Clube da Esquina.

Não há seletividade da parte de Deus em achar que uma vida é mais sagrada que outra ou que uma existência tem mais méritos que outra. Tudo é sagrado.

Curar no sábado é apenas uma boa desculpa para sentirmos raiva e começar a tramar como eliminar Jesus e sua maneira de pensar e de nos ajudar a pensar. Porque não duvidem: ainda continuamos dando um jeito de tramar contra o Reino, se não de mandar matar Jesus (algo discutível), mas tentando abrandar sua maneira de pensar e agir.

Aprender a olhar para onde nem sempre estamos acostumados ou confortáveis... Eis a lição.

Fiquem bem.

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